Mel

Mel

No Alentejo, um conjunto de fatores criam o contexto ideal para a produção de mel biológico, entre eles, a presença de áreas consideráveis dedicadas à tradicional produção extensiva do montado, em combinação com pecuária e produção biológica certificada de plantas aromáticas e medicinais. Na paisagem aberta do sistema de montado muitas espécies diferentes de plantas florescem na primavera, verão e outono. Este é o ambiente ideal para a apicultura biológica. A riqueza da flora melífera mediterrânica associada à produção em modo biológico, garantem um mel de extraordinária qualidade. Nesta região podem encontrar-se diferentes méis, bem como outros produtos biológicos certificados feitos a partir do mel, por exemplo doces e chocolates.

O mel possui excelentes propriedades para a utilização na indústria da cosmética e farmacêutica. O seu consumo está associado a inegáveis vantagens para a saúde. O própolis, a cera e a geleia real têm múltiplas aplicações, por exemplo na decoração. A água-mel é uma bebida muito apreciada local e regionalmente.

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Ver ficha técnica - Wild lavender honey

 

FICHA TÉCNICA

O mel é uma substância natural e doce, produzida pelas abelhas a partir do néctar das flores. O aroma, o sabor e a cor varia de acordo com a espécie vegetal de onde foi colhido o néctar, com os métodos de extração e as condições climáticas.

 

 

Produtos da colmeia

  • O própolis, recolhido pelas abelhas das plantas para cobrir a parte de dentro das suas colmeias, é usado como tratamento duma vasta gama de doenças;
  • O pólen, recolhido pelas abelhas nas plantas para alimentar as suas larvas, é utilizado na indústria de perfumaria, é um aditivo alimentar e um medicamento;
  • A geleia real, feita pelas abelhas jovens a partir de secreções glandulares, constitui o alimento da rainha, tendo ainda propriedades medicinais;
  • A cera da abelha é utilizada em cosméticos, velas e polimentos;
  • Veneno das abelhas, utilizado em alguns medicamentos

A apicultura é uma atividade que pode ser desenvolvida sem que para isso seja necessário possuir ou alugar terra. As abelhas polinizam as culturas ajudando, assim, a aumentar os rendimentos das culturas.

 

Como produzir?

Sendo a produção de mel considerada como produção primária, envolve a criação de abelhas, mesmo quando os apiários estão instalados a alguma distância das instalações do apicultor, a recolha e transporte dos quadros das colmeias e a extração e acondicionamento do mel, nas instalações do apicultor.

Uma abelha produz cinco gramas de mel por ano. Para produzir 1 kg de mel, as abelhas precisam visitar 5 milhões de florese consomem cerca de 6 a 7 kg de mel para produzirem 1 kg de cera. Cada colmeia produz em média 20kg de mel. O preço varia consoante o mel seja vendido a granel ou enfrascado, seja produzido em Modo Convencional ou em Modo Biológico. Os valores de mercado normalmente sofrem oscilações todos os anos, sendo que o valor de Kg por mel a granel varia entre os 2.00€ e os 4.00€ e o mel enfrascado na ordem dos 5.00 a 8.00€.

O Mel certificado em Modo Biológico (MPB) apresenta várias vantagens em termos ambientais, sociais e económicos. Todos os interessados em iniciar ou converter a sua exploração para o modo de produção biológico tem como ponto de partida desencadear o processo de controlo e certificação. Este processo envolve três entidades: o operador (apicultor, transformador ou embalador), o organismo privado de certificação (OC) e o Gabinete de Politicas e Planeamento (GPP) que atua aqui como a entidade representante do estado Português. O primeiro passo é estabelecer um contrato de serviços entre o operador e o OC. Posteriormente, o operador (produtor ou transformador) deverá efetuar uma notificação no site do GPP, mediante o preenchimento do formulário.

 

Instalação do Apiário em MPB

Um apiário em modo de produção biológico requer do apicultor alguns cuidados na sua instalação mas também na sua manutenção, promovendo-se atitudes preventivas que contribuam para o bem-estar das colónias. Assim, deve-se atender ao local de instalação; à instalação das colmeias; e ao povoamento das colmeias.

Local de instalação

O ponto de partida para iniciar ou converter a sua exploração para o MPB é a escolha do local. Ao apicultor cabe encontrar um local adequado, que deve:

  • Possuir fontes naturais de néctar, melada e pólen em abundância, num raio de 3 km, provenientes essencialmente de matos mediterrânicos (rosmaninho, alecrim, poejo, urze, etc), eucaliptais, alfarrobais e outros pomares.

Quanto à exposição:

  • Locais com boa exposição solar, mas não muito quentes;
  • Locais com muita água, mas secos;
  • Planícies ou meias encostas, abrigados em especial de ventos do norte.

No que respeita à orientação:

  • Colmeias viradas a sul ou nascente aumentam a incidência de luz e estimulam a atividade das abelhas.

Instalação das colmeias

  • Efetuar uma limpeza de vegetação em redor do apiário, contribuindo para a prevenção de incêndios. A limpeza deve ser efetuada por corte da vegetação ou movimento de terras. É proibida a utilização de herbicidas. Este procedimento deve ser realizado antes da colocação das colmeias e fora das épocas de produção (inverno).
  • Criar um corredor de trabalho por detrás das colónias para permitir a circulação de um automóvel de carga/descarga.
  • Manter-se uma distância de trabalho entre colmeias de 1 metro, o que facilita a posterior realização de desdobramentos e reduz a deriva das abelhas.

As colónias devem ser colocadas sobre assentos e nunca diretamente sobre o solo, permitindo assim que se prolongue o tempo de vida do material e se reduza o ataque de formigas e ratos. Adicionalmente e com inclinação das colmeias para a frente, é possível diminuir a humidade e consequentemente a probabilidade de doenças na colónia.

Povoamento das colmeias

No MPB é promovida a utilização de raças Europeias de Apis mellifera e dos ecótipos locais, garantindo-se assim a preservação das espécies, a diversidade dos ecossistemas e o recurso a um património genético adaptado às condições locais. Em Portugal deve por isso utilizar-se a Apis melifera ibérica.

O povoamento inicial das colmeias pode ser efetuado por conversão das colónias de modo convencional para MPB ou através da aquisição de enxames ou colmeias oriundas de explorações em MPB certificadas.

 

Maneio apícola e gestão da produção

Para maximizar a produção apícola é necessário proceder a um controlo contínuo das colonias durante todo o ano. No inverno, avaliar as reservas e o estado das colónias, preparando o material para a próxima produção; na primavera, efetuar os tratamentos, a gestão do efetivo e a produção de mel; no verão, controlar a produção e efetuar a cresta do mel; e no outono, realizar os tratamentos e preparar a colonia para o inverno. Estas tarefas distribuem-se por inspeção e manutenção de apiários/colonias; controlo da população; produção de mel; registos.

Recolha de mel

A produção de mel ocorre em Portugal em duas épocas, verão e inverno. A atividade consiste em retirar o mel dos quadros que se encontram dentro das colmeias, para o efeito as colmeias são transportadas para o local de extração, que pode ser uma Unidade de Produção Primária (UPP) ou uma melaria (Estabelecimento). Os quadros são retirados um a um de dentro das colmeias, são desoperculados com a ajuda de um garfo de desopercular ou com recurso a uma máquina, são depois colocados dentro de um tanque de centrifugação a alta velocidade. Este tanque tem um orifício que permite que o mel escorra para o local de armazenamento. Depois de tirado o mel os quadros são repostos nas colmeias, algumas das quais são repostas no campo após a cresta, as restantes ficam armazenadas até irem para campo, na primavera seguinte.

Como vender?

Em relação ao mercado, segundo o produto que decida explorar, será preciso direcionar os esforços de comercialização e marketing do produto. Importa referir que o mel de rosmaninho, o própolis e o pólen produzidos em Modo Biológico são especialmente interessantes nos mercados internacionais.

Agentes da fileira

Com o crescimento da fileira e dos novos produtores de Mel em Portugal, multiplicam também os agentes económicos e de apoio da fileira. Dentro destes destacam-se:

Entidades com funções do tipo Organização de Produtores/Investigação Aplicada:

- Associação de Defesa do Património de Mértola (ADPM)

www.adpm.pt

- APIGUADIANA - Associação de apicultores do Parque Natural do Vale do Guadiana.

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- Centro de Excelência para a Valorização dos Recursos Mediterrânicos (CEVRM)

www.cevrm.pt                   

 

Empresas do território, ligadas à produção, transformação e comercialização de Mel:

- Monte do Mato, Comércio de mel, LDA.

Corte da Velha, concelho de Mértola

- Melaria Flor do Guadiana

São Bartolomeu de Via Glória, concelho de Mértola

 

Entidades com competências ao nível de formação/divulgação da fileira:

- Associação de Defesa do Património de Mértola (ADPM)    

www.adpm.pt

- APIGUADIANA - Associação de Apicultores do Parque Natural do Vale do Guadiana

- MELGARBE – Associação de Apicultores do Sotavento Algarvio

- Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV)

- Federação Nacional dos Apicultores de Portugal (FNAP)

 

Produtores

Por ser uma fileira que acentua uma elevada dinâmica, sugerimos a consulta dos produtores junto das entidades com competências ao nível da organização de produtores ou da vertente da divulgação da fileira.

 

Para mais informações pode consultar:

Manual de Apicultura em Modo de Produção Biológico, FNAP